No domingo (30/11/2025), durante evento de lançamento da pré-candidatura do senador Eduardo Girão (Novo-CE) ao governo do Ceará, Michelle Bolsonaro fez críticas duras à tentativa de aliança do PL com Ciro Gomes. Em discurso, ela afirmou que não faria sentido unir a legenda com alguém que, segundo ela, se posicionou contra o ex-presidente e “maior líder da direita”.
Ela declarou apoio público a Girão — apresentando-o como alternativa da direita cearense — e rejeitou o apoio a Ciro: “fazer aliança com quem é contra nossos valores não dá”, disse. A declaração provocou desconforto interno e expôs forte divisão entre bolsonaristas e setores favoráveis à aproximação com Ciro no estado.
Do lado oposto, o presidente estadual do PL, deputado federal André Fernandes (PL-CE), rebateu a fala de Michelle afirmando que a articulação com Ciro teria sido feita com conhecimento e aval prévio do ex-presidente. Ele defende que a aliança visava montar uma candidatura de peso no Ceará capaz de disputar contra o PT em 2026.
O episódio marca um novo racha na direita cearense: de um lado, bolsonaristas alinhados a Michelle defendendo unidade em torno de Girão; do outro, uma ala aberta à rearticulação com Ciro, entendendo que a coligação pode reforçar competitividade eleitoral. A divisão preocupa, porque pode fragmentar o voto conservador e beneficiar o atual governo estadual nas próximas eleições.
Além de tensionar o PL local, a polêmica reflete disputas internas sobre estratégia eleitoral, identidade da direita e cálculo de apoio no Nordeste — com potenciais impactos no tabuleiro nacional em 2026.
