A safra de algodão de Mato Grosso em 2025/26 foi estimada em 2,58 milhões de toneladas de pluma — uma redução de cerca de 1,7% em relação à previsão feita no mês anterior. A queda está associada a um ajuste na área plantada: a estimativa da área caiu para 1,43 milhão de hectares, representando uma redução de 7,3% em relação ao ciclo 2024/25.
O recuo na área plantada reflete decisões de produtores diante de custos de produção elevados e rentabilidade mais desafiadora para a cotonicultura. Alguns optaram por diminuir ou adiar o plantio como forma de mitigar riscos financeiros — sobretudo diante da oscilação de preços e dos custos de insumos.
Além disso, fatores climáticos e a priorização de outras culturas como a soja podem ter influenciado a decisão de reduzir a área destinada ao algodão neste ciclo.
Com a nova previsão, Mato Grosso — maior produtor de algodão do país — sinaliza um ajuste na produção nacional da fibra. A expectativa reduzida pode repercutir no abastecimento de matéria-prima para a indústria têxtil e também gerar impactos no mercado doméstico e de exportação.
A retração já era antecipada por analistas do setor: desde relatórios anteriores vinham alertas sobre a margem de lucro apertada, custos elevados de cultivo e incertezas climáticas.
Para cotonicultores, a nova estimativa reforça a necessidade de planejamento cuidadoso e monitoramento de custos — além de atenção para preços de mercado e demanda internacional. Para a cadeia têxtil, a oferta reduzida de pluma pode pressionar preços ou incentivar importações, dependendo da demanda.
Apesar do recuo na safra, a cultura continua sendo estratégica para Mato Grosso e para o agronegócio nacional — mas o cenário de 2025/26 impõe desafios que exigem adaptação imediata dos produtores.
