Com mais de 6 mil casos e rede hospitalar acima da capacidade, município adota medidas emergenciais por 90 dias
O avanço acelerado da chikungunya levou o prefeito Marçal Filho a decretar o nível mais grave de crise sanitária em Dourados. Por meio do Decreto nº 638, publicado nesta segunda-feira (20), o município declarou situação de calamidade em saúde pública, diante do colapso da rede de atendimento.
A decisão ocorre após uma sequência de medidas emergenciais adotadas nos últimos meses. Em 20 de março, a prefeitura já havia reconhecido situação de emergência na saúde (Decreto nº 587), seguida pela decretação de emergência em Defesa Civil no dia 27 de março (Decreto nº 608). Agora, com o agravamento do cenário, o município eleva o status para o nível máximo previsto.
A medida segue recomendações do Centro de Operações de Emergências em Saúde Pública, responsável por coordenar o enfrentamento da epidemia, que teve início na Reserva Indígena de Dourados e se espalhou rapidamente para a área urbana.
Sistema de saúde em colapso
Dados técnicos apontam um cenário crítico. Dourados já soma mais de 6.186 casos prováveis de chikungunya, com taxa de positividade de 64,9%, indicando intensa circulação do vírus.
A pressão sobre a rede pública atingiu níveis extremos: a ocupação de leitos chegou a cerca de 110%, ultrapassando a capacidade instalada e comprometendo o atendimento, inclusive de pacientes em estado grave.
Além da chikungunya, o aumento de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) tem agravado ainda mais a situação, ampliando a demanda por atendimento hospitalar.
Medidas excepcionais autorizadas
Com a decretação de calamidade, válida por 90 dias, a Prefeitura passa a ter autorização para adotar medidas mais rígidas e ágeis. Entre elas estão:
contratação direta de serviços e profissionais;
requisição de bens e recursos;
ampliação de ações de controle sanitário;
intensificação do combate ao mosquito transmissor.
A Secretaria Municipal de Saúde ficará responsável por coordenar todas as estratégias, incluindo reforço na assistência médica, vigilância epidemiológica e regulação de leitos.
Alerta para a população
Apesar das ações do poder público, a situação também depende da colaboração da população. Equipes da Secretaria de Serviços Urbanos e do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) relataram que áreas recentemente limpas voltaram a acumular lixo.
Bairros como Jóquei Clube e Santa Felicidade, que receberam mutirões há poucas semanas, já apresentam novos pontos de descarte irregular, com pneus, entulhos e móveis, materiais que favorecem a proliferação do mosquito e também de animais peçonhentos.
As autoridades reforçam que o combate à chikungunya exige ação conjunta entre poder público e moradores, com eliminação de focos e descarte correto de resíduos.
